. SINJAC - Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre
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Rio Branco, Acre,
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Jornalismo Acreano

O jornalismo acreano, um pouco de história

A história da imprensa acreana, assim como a história da política e todas as possíveis histórias que têm o Acre como palco, são profundamente intensas, cheias de paixões e feitos heróicos graças ao espírito guerreiro que mora em cada um que faz parte deste povo.

Para entender que o parágrafo acima não é exagero, basta se ater aos fatos. O primeiro jornal que circulou em solo acreano, feito por brasileiros, foi impresso em Thaumaturgo de Azevedo, na Foz do Amônia, chamada agora de Marechal Thaumaturgo. Hoje não é impresso nenhum jornal na cidade, mas o primogênito da imprensa acreana foi impresso lá, em 1904. Este, porém, não foi o primeiro jornal a circular no Estado. Em 1901 - período em que o Estado vive os chamados “Anos bolivianos no Acre” - o “El Acre” é lançado pelos bolivianos com a intenção de consolidar a dominação boliviana no território. Ora, não havia como implantar uma sociedade sem a comunicação. O jornal era um porta-voz da Bolívia e trazia todos os atos oficiais, lembra o historiador Marcus Vinicíus Neves. Alguns exemplares da publicação sobreviveram ao tempo, mas hoje restam apenas cópias do El Acre, que era impresso em papel tamanho A4, com quatro páginas. A primeira edição circulou em 20 de outubro de 1901 na cidade de Puerto Alonso, hoje Porto Acre, que então fazia parte do território boliviano. O conteúdo falava sobre a borracha, chamada de goma elástica, com quadros estatísticos e outros dados sobre produção e comércio do látex. Havia também uma coluna de “interesses militares” e notas com observações da vida local.

A grande quantidade de jornais que circularam a partir de 1901 denuncia a efervescência da imprensa acreana e algumas fases são inacreditáveis: Em Sena Madureira três títulos circularam simultaneamente em 1912. Cruzeiro do Sul no ano de 1916 tinha dois jornais circulando. A imprensa acreana acompanha as fases de apogeu e crise econômica. Quando a economia estava fortalecida, a imprensa estava fortalecida. Em 1913 o Acre entra em crise e a imprensa também. Cidades que tinham três jornais circulando passam a não ter nenhum. A história mostra que houve casos heróicos, como o de João Mariano, que chegou a editar dois jornais, o Rebate e O Juruá, numa tipografia só, em Cruzeiro do Sul. Como no Vale do Juruá a situação era muito difícil, por vezes o papel não conseguia chegar à cidade, mas isso não era motivo para que as publicações não circulassem: “Existem jornais impressos em papéis cor de rosa, azul, papel de embrulho ou qualquer outro que estive à disposição”, comenta o historiador.

Embora possa parecer, fazer um jornal no Acre nem sempre foi tarefa das mais fáceis como se pode deduzir ao deparar-se com uma grande variedade de títulos. Ao contrário, era uma imensa aventura. Com uma posição geográfica desfavorável ao desenvolvimento – localizado em meio à floresta amazônica e com uma população em que grande maioria era composta por analfabetos – os jornais, criados para uma pequena parcela de seringalistas, políticos e comerciantes, eram verdadeiras odisséias.

Até 1922 não havia estrada para o Acre e todo o carregamento que chegava à região era transportado por via fluvial. A partir de 1930 o transporte de produtos se torna um pouco mais fácil com a chegada dos aviões – que levavam quatro dias para sair do Rio de Janeiro e aterrissar em solo acreano. Durante muitos anos, até 1937, a única forma de fazer um jornal no Acre era trazendo maquinário, tintas e papeis por barcos a vapor que partiam de Manaus. De fato, imprimir jornais no Estado só se torna uma atividade relativamente facilitada com a construção da BR 364, que possibilita a chegada dos insumos necessários para a produção de jornais de forma mais rápida.

Os jornais humorísticos foram muito comuns na imprensa acreana, em especial na década de 1920. Eles eram responsáveis pela crítica social, não tinham caráter político e traziam, em geral, conteúdo que não encontrava espaço nos veículos maiores. A partir da década de 30 começa a circular o jornal O Acre, de conteúdo oficial, editado pelo Governo. Como o Acre não era ainda um estado, não poderia, então, ter um Diário Oficial. O jornal assumia este papel, trazendo todos os atos governamentais, além das notícias. Foi o único jornal a circular no Acre por muitos anos. O Acre, um tablóide com cinco colunas, não tinha manchetes nem ilustrações, pois não havia ainda como imprimir os clichês – que só passam a ser confeccionados nos anos 50.

Até 1969 a grande maioria dos jornais que circulavam no Estado era composta por veículos semanais. Com o lançamento do Jornal O Rio Branco, pelo grupo Diários Associados, de Assis Chateuabriand, em 20 de abril de 1969, o Acre passa a ter um veículo de circulação diária e a data marca uma fase da imprensa acreana. A primeira edição, que circulou num domingo, teve 32 páginas, as seguintes. O Rio Branco completou o chamado Mapa Associado do Brasil, permitindo que o Diários Associados marcassem presença em todas as capitais brasileiras. Não havia separação de conteúdo por editoria de forma clara e publicidade e matérias jornalísticas se misturavam entre as colunas. Às mulheres era reservado um espaço que trazia moldes de roupas e aos estudantes a coluna Vanguarda Estudantil. A ronda policial era editada na página dois. Os redatores eram José Chalub Leite, José de Souza Lopes, Elzo Rodrigues, Francisco Cunha Filho e Edno Thadeu Cavalcante Monteiro. A chefia de redação era assinada por Ubirajara Omena e o expediente do jornal anunciava correspondentes em todos os municípios acreanos.

Com a “chegada-invasão” dos paulistas, a luta pela posse da terra e a repressão da ditadura militar surge no Acre, na década de 1970, a imprensa alternativa, representada principalmente pelo boletim da igreja Católica “Nós, irmãos” e pelo tablóide O Varadouro. Ambos escreveram bem suas páginas na história da imprensa acreana e desempenharam um importante papel, além do de informar, que foi o de resistir. E resistiram bravamente.

A quantidade de jornais que circulou no Acre mesmo diante de todas as dificuldades, revela a necessidade de um veiculo de comunicação. Tudo era muito difícil, muito caro e como hoje não dava retorno financeiro. O que levava as pessoas a fazer tantos sacrifícios pra ter um jornal circulando numa cidade em que a grande maioria era analfabeta? Interesses políticos? Ou a paixão por fazer política que é inerente aos acreanos? Ou seria ainda o gosto pelo jornalismo?

Nem todos que se lançavam ao desafio de fazer um jornal no Acre tinham dinheiro para a empreitada. Sangue, suor e lágrimas, foi a receita do jornalismo por muitos anos. E a efervescência do jornalismo continua, embora algumas mudanças no caráter do jornalismo possam ter mudado e hoje grandes empresários detenham a direção de empresas jornalísticas e haja redações de jornalistas hierarquizadas, com cobertura cuidadosamente preparada para que os interesses estratégicos das empresas não sejam violados. Hoje, Rio Branco, com uma população de 300 mil habitantes, tem quatro jornais diários circulando (O Rio Branco, A Gazeta, A Tribuna e Página 20), dois semanários (O Tablóide e O Estado do Acre) e dois on-line (Notícias da Hora e AC 24 horas). Fenômeno que não há em outra cidade e que chama a atenção de estudiosos, colocando a imprensa acreana em debate, como fez o jornalista e professor Bernardo Kucinski: “Nos pequenos e médios municípios brasileiros, os jornais são totalmente dependentes da elite local dominante e da máquina do Estado, e mais afastados da ética do jornalismo liberal. Um exemplo notável é Rio Branco, capital do Acre, que possui quatro jornais diários, que não somam 8.000 exemplares de circulação. Nenhum tem viabilidade econômica, todos vivem dos favores públicos, cada um representando um chefe político local” (A Síndrome da Antena Parabólica, 2002, pg. 25).

Mas, nem só de jornais impressos vive a imprensa acreana. Em 16 de outubro de 1974 nasce a TV Acre, uma emissora da Rede Amazônica de Rádio e Televisão, a primeira a se aventurar em solo acreano. As primeiras imagens eram geradas através de um pequeno transmissor instalado o Palácio do Bispo. As fitas com a programação eram enviadas pela retransmissora de Manaus e eram rodadas com um dia de atraso, através de um televisor colocado na esplanada do Palácio Rio Branco, onde centenas de pessoas se reuniam para assistir às notícias do Brasil. Em 1975 a TV Acre passa a ter geração própria através da Embratel. Hoje a emissora é uma das mais modernas no Estado e seu pioneirismo marcou a história da imprensa acreana. A TV Acre disputa agora audiência com a TV Gazeta, Rio Branco, TV 5, TV União, além das emissoras Canal 40 e TV Diocese.

As emissoras de tv chegaram ao Estado há 32 anos, mas a Rádio Difusora Acreana já está há mais de 60 anos levando sua voz pelas selvas e é o veículo de comunicação com maior abrangência, muitas vezes o único canal de comunicação disponível para as comunidades da floresta. Radialistas como Nilda Dantas, com mais de 30 anos de casa, e Zezinho Melo, que começou com ofice-boy aos 11 anos de idade e hoje comanda um programa, têm audiência garantida e uma história que se confunde com a da rádio. Além da Difusora, as informações da Rádio Alvorada, Rádio Capital e das FMs Aldeia, Acre e Gazeta também passam pelas ondas sonoras até os ouvintes acreanos.

Mais recentes, porém não menos importantes, são os sites de notícias, que usam a internet e as novas tecnologias para levar informação aos internautas acreanos e, como a rede não tem fronteiras, internautas de todo o mundo. O site Notícias da Hora (www.noticiasdahora.com) foi o primeiro alçar vôo no universo virtual no Estado e hoje a audiência na web é disputada com o jornal on-line Ac 24 horas.

Rua Taumaturgo de Azevedo, n° 99, Bairro Ipase, CEP: 69.900-220 - Telefone: (68) 3223-7418
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Foto/Marcos Vicentti Giselle Lucena Página principal