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Artigos :: Publicado no dia 4 de novembro de 2008

Charge, a arte de fazer rir

Ramiro Marcelo

Os jornais têm em suas páginas uma variação para todos os gostos, mas nenhuma é tão apreciado quanto as charges. São traços retratando o cotidiano sempre recheados de muito humor. Poucos foram agraciados com a dádiva de saber retratar um momento do cotidiano acreano como os chargistas, entre eles Braga, Ernilson, Maxtane, entre outros.

Para quem vive o cotidiano dos jornais sabe bem que um dos maiores chargistas locais é um sujeito de poucas palavras, que foi apelidado por sua saudosa mãe, dona Raimunda, por Raimundo Ribeiro Mendes, porém acabou utilizando de um nome conhecido no Estado: Dim, ou como os amigos mais próximos chamam, Safadim.

O que muitos poucos sabem é que apesar do chargista usar da malícia em seus breves traços, a charge é motivo de orgulho para quem dela é alvo. Na época das eleições, ou melhor ainda, após a decisão democrática (porém muitas vezes não sábia) do povo, os perdedores que não são lembrados por Dim chegam a indagar por que de suas ausências? Outros, agraciados pela presença nesta balsa, guardam com “orgulho”, imortalizados no jornal A GAZETA, aonde Dim vem emprestando seu humor nos últimos 20 e poucos anos.

Justamente a balsa, com endereço a Manacapuru/AM, Dim não foi seu criador, mas com certeza foi quem a imortalizou na história da política acreana. Ninguém pode sequer imaginar o “pós-dia” das eleições sem conhecer quem irá curtir a viagem de três dias, isso caso o rio não esteja seco.

Dentro do jornalismo, nenhum outro espaço é tão restrito quanto a charge. Em qualquer outro lugar do jornal, uma pessoa pode aprender até se tornar um funcionário “funcional”, ou seja, bom o suficiente para exercer o trabalho, no entanto a charge é diferente. Apenas os que receberam esse dom é que conseguem vencer, afinal extrair um momento humorado diário e ainda retratar em poucos traços não é para qualquer um.

Sou amante de um bom romance onde se possa misturar o suspense e o humor, de uma redação que prenda seu leitor do início ao final, bem como da charge que não precisa usar da apelação, mas mesmo assim seja motivo de comentar com os amigos de redação até o final do dia, afinal o jornalismo é ingrato, por isso mesmo no final do dia é hora para se pensar na charge da manhã seguinte e assim todos os dias até o final dos nossos dias. Amém e volte logo ao batente amigo Dim.

Ramiro Marcelo é jornalista

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Foto/Marcos Vicentti Giselle Lucena Página principal