. SINJAC - Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre
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Rio Branco, Acre,
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Adísia Sá: Lição de jornalismo

* Socorro Camelo

A homenagem a alguns jornalistas veteranos e particularmente a jornalista cearense Adísia Sá, foi a meu ver o ponto alto do 33º Congresso Nacional de Jornalistas realizado em São Paulo, de 20 a 24 de agosto. Os jornalistas Jorge Said, Jane Vasconcelos e eu, participamos como delegados do Acre. Sempre que o orçamento permite, faço questão de ir a congressos na minha área, especialmente os ligados a assessoria de comunicação que é onde atuo a mais de 10 anos. O investimento que não é barato e no meu caso, custeado por mim mesma, vale à pena quando se busca conhecimento, troca de informação e reciclagem profissional. Eu não penso duas vezes em ficar “pendurada” alguns meses e fazer esse esforço. Só acho que os Sindicatos de Jornalistas que sediam esses eventos deveriam repensar um pouco os valores cobrados. No caso de São Paulo, os preços cobrados dos observadores — os jornalistas participantes que não são delegados, tendo direito a voz, mas não a voto — são exorbitantes: 300 reais por pessoa, no caso de jornalista sindicalizado, e 400 reais se não sindicalizado, tudo isso sem direito a hospedagem ou alimentação. Também os preços cobrados dos estudantes são elevados: 150 reais para os pré-sindicalizados e 300 reais para os que não o são.  No geral, a categoria recebe salários muito baixos. Em Rio Branco, por exemplo, o piso é pouco mais do que R$1.200. Sem contar que a passagem aérea é uma das mais caras do país. Desse modo, os preços impostos fazem com que muitos colegas interessados em participar sejam excluídos contra a vontade, por não poderem arcar com essa despesa. Esses valores proibitivos restringem o comparecimento da categoria, ao invés de ampliá-lo, como seria desejável.

Mas voltando ao Congresso, nada foi tão importante nem tão emocionante quanto a homenagem a jornalista e professora Adísia Sá, uma agradável senhora quase octogenária (faz 80 anos em 2009) e certamente uma das mais notáveis e respeitadas figura do jornalismo.

Já encontrei com Adísia em seminários e encontros de assessores de comunicação pelo menos uma três vezes e sempre admirei seu jeito espirituoso, inteligente e irreverente de conduzir suas palestras.  E mais que isso, o emocionante exemplo de sua entrega profissional à carreira que abraçou ainda jovem, quase que por acaso, ao visitar a redação e as oficinas de um jornal, recém formada em Filosofia. Ela me faz refletir sobre o quão diferente é o caminho de quem não hesita em escrever a própria história. Somos sempre tentados a esperar do governo, do mercado ou da família uma solução que só depende de nós. Quem acredita que o universo gira ao seu redor, perde uma infinidade de oportunidades de receber luz de outros que brilham, e refletir luz ao seu redor.

Adísia Sá recebeu a honraria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com humildade de sábia e alegria de adolescente. E fez um discurso notável que emocionou a todos. Ela não se conforma com uma vida mansa, como seria comum a uma senhora de 80 anos. “Preciso é de sarna para me coçar” brinca ela. A marca do pioneirismo acompanha Adísia Sá. Iniciou-se no Jornalismo em 1955, quando ainda era uma raridade mulheres nas redações dos jornais locais. Além de ter feito parte do grupo fundador do Curso de Comunicação, esteve também entre os fundadores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, do Instituto Cultural Brasil União Soviética e da Associação Brasileira de Ouvidores/Seção Ceará. Foi a primeira ombudswoman do Estado, defendendo por três mandados (1994, 1997 e 2000) o leitor do jornal "O Povo". No Ceará, Adísia trabalhou também nos jornais "Gazeta de Notícias", "O Estado" e "O Dia". Foi comentarista da TV Jangadeiro, TV Com e TV Manchete. Dirigiu a Rádio AM O POVO, de onde foi também ouvidora, e é comentarista diária. É articulista semanal dos jornais "O Povo" e "O Estado". Além de professora e jornalista, Adísia Sá é escritora.

Essa mulher notável provavelmente nos dará a honra de sua presença em dezembro, por ocasião do Prêmio José Chalub Leite. O convite foi feito pelo Sindicato dos Jornalistas do Acre (Sinjac) e Adísia aceitou de pronto (ela também tem raízes no Acre, é tia de um senador acreano). Certamente para mim, será mais uma oportunidade de ouvi-la e aprender mais sobre jornalismo, profissão que é sua vocação da vida toda e um sacerdócio, que exerce com extremada devoção. Nós, veteranos e colegas mais jovens, bem que podíamos tomá-la como exemplo.

* Socorro Camelo é jornalista (065-DRT/AC)

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Foto/Marcos Vicentti Giselle Lucena Página principal